A importância de aprender novas línguas, mas sem perder nossas raízes

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Por Taciana Vaz

Iniciei o ano de 2015 com um novo emprego desafiador: ensinar inglês para crianças com idade entre 3 e 6 anos, em uma escola construtivista em São Paulo.

Já havia trabalhado com pequenos dessa faixa etária e, embora adore, sei que não é nada fácil.

Essa nova experiência, porém, reacendeu alguns questionamentos importantes, que voltei a me fazer com frequência, sendo o maior deles sobre o ensino bilíngue e bicultural.

No Brasil, desde o primeiro ano escolar, nos (pre)ocupamos com o ensino do inglês aos nossos filhos. Para ajudar nessa missão, professores e coordenadores buscam proporcionar momentos de vivência no idioma estrangeiro, atividades que contemplem a cultura de países cuja língua oficial seja a inglesa.

Normalmente focamos nos países desenvolvidos, de maior importância econômica e política no mundo atual.

Estudos indicam que crianças bilíngues apresentam vantagens cognitivas se comparadas às monolíngues: “a primeira é uma certa antecipação da consciência metalinguística – eles se dão conta de que o objeto tem palavras diferentes para representá-lo e diferenciam com qual língua falar com cada pessoa”, explica Elizabete Flory, doutora em bilinguismo pelo Instituto de Psicologia da USP, em entrevista dada à revista brasileira Educação.

Garantir essa “vantagem” para nossos filhos parece obrigação, se temos condições financeiras para isso.

Nos Estado Unidos, muitos pais também estão preocupados com a questão, tanto que as escolas locais também oferecem aulas de línguas como espanhol, francês e alemão.

Para nossa honra e surpresa, o português também tem sido requisitado, e não só por pais brasileiros, mas também por estrangeiros que consideram importante o nosso idioma.

Em qualquer um dos casos, e em qualquer língua, é importante saber que o aprendizado não se limita a lousa, giz, livros e cadernos – é preciso entender que a língua é uma parte de uma cultura, e elas jamais se descolam.

Por isso, talvez tenha visto tantos pais brasileiros insatisfeitos com o fato de os filhos falarem português apenas em casa.

Para esses descontentes, listo algumas dicas: em Miami existe a escola Adda Merrit e a Fundação Vamos Falar Português.

A missão dessa instituição é “propagar a língua portuguesa e promover a manutenção das heranças culturais brasileiras, entre as crianças e adolescentes da comunidade brasileira que vive nos EUA”. E para proporcionar momentos culturais e prazerosos de leitura e conversas em casa, a plataforma Elefante Letrado disponibiliza um acervo de livros infantis em português – e é bonita de visitar.

Outra forma de “exercitar” a nossa brasilidade é ensinando aos nossos filhos algumas das brincadeiras que gostávamos quando tínhamos a idade deles. Para leitores jovens e adultos, há sempre a opção gratuita do site Domínio Público, do governo brasileiro, ou livros online disponíveis para compra.

Essas e outras diversas alternativas estão ao alcance de quem se dispõe a ir à luta para honrar o idioma e a cultura que lhes são de berço.

A nossa língua é a nossa pátria, como um dia cantou Caetano, e devemos a ela muito do que somos: entendemos e sentimos o mundo pelo português, e não importa o quão fluente sejamos em outro idiomas, ninguém jamais entenderia o que é a saudade da nossa língua – até porque “saudade” é coisa só nossa.

Taciana Vaz é formada em Letras e dá aulas de idiomas. Autora do blog namochiladataci.blogspot.com.br, gosta de ler e escrever sobre educação, viajar e trocar conhecimento mundo afora.

Revista Facebrasil – Edição 52 – 2015
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