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Brasil, depois das urnas: que país está surgindo?

Marco Alevato

Editor

Uma visão de quem vive fora, acompanha o mundo e sabe que o futuro de uma nação não se decide apenas pela escolha de um presidente.

Há uma diferença importante entre olhar para o Brasil de dentro e observá-lo a partir do exterior. Quem vive no país sente diretamente as consequências das decisões políticas, da inflação, da insegurança, do emprego e das oportunidades. Quem vive fora acompanha esses mesmos acontecimentos com uma perspectiva diferente, construída pela comparação entre sociedades, economias e modelos de governo.

Para milhões de brasileiros que emigraram, o Brasil continua sendo muito mais do que o lugar onde nasceram. É onde estão familiares, amigos, propriedades, investimentos, lembranças e uma parte fundamental de sua identidade.

Por isso, quando o Brasil realiza uma eleição presidencial, o brasileiro que vive no exterior não acompanha apenas a disputa entre candidatos. Ele procura compreender o que poderá acontecer com o país ao qual permanece ligado.

As eleições de 2026 chegam em um momento particularmente significativo.

O primeiro turno deixou evidente que a polarização política permanece como uma das características centrais da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, os resultados revelaram uma questão que merece atenção: uma parcela expressiva dos eleitores não participou da votação, enquanto outros ainda não encontraram representação política satisfatória nas candidaturas disponíveis.

Segundo a Associated Press, mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno, o maior índice de abstenção em 28 anos.

Esse número merece reflexão.

Uma democracia não deve ser compreendida apenas pela quantidade de votos recebidos pelos candidatos. Também precisa observar quantas pessoas acreditam que sua participação pode transformar a realidade.

E talvez esteja aí uma das perguntas mais importantes deste momento: independentemente de quem vença, como reconstruir a confiança entre o cidadão brasileiro e suas instituições?

O que o mundo está enxergando no Brasil?

O Brasil não é uma economia isolada. É um dos principais produtores mundiais de alimentos, possui recursos minerais estratégicos, concentra uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta e desempenha papel relevante nas relações comerciais entre América, Europa e Ásia.

Consequentemente, suas eleições ultrapassam as fronteiras nacionais.

A cobertura internacional das últimas semanas demonstra que diferentes observadores enxergam a eleição brasileira sob perspectivas distintas.

Nos Estados Unidos, uma das questões é como o próximo governo se relacionará com Washington, especialmente diante das divergências comerciais e diplomáticas recentes.

Na Europa, temas como proteção ambiental, compromissos climáticos, direitos humanos e estabilidade institucional continuam relevantes.

Nos mercados financeiros, a atenção se concentra principalmente na política fiscal, na dívida pública, nos juros e na previsibilidade econômica.

Uma reportagem da Reuters, publicada em 29 de setembro, mostrou como representantes políticos e diplomáticos estrangeiros acompanham a eleição brasileira em um contexto mais amplo de mudanças ideológicas na América Latina.

Isso revela uma característica fundamental da posição brasileira: o país é importante demais para que suas decisões tenham consequências apenas domésticas.

Mas existe uma diferença entre despertar interesse internacional e transformar esse interesse em oportunidades concretas.

A confiança externa não depende exclusivamente de afinidades políticas. Ela também exige segurança jurídica, estabilidade regulatória, compromissos comerciais e capacidade de cumprir acordos.

O recado dos mercados: expectativas não são resultados

A reação do mercado financeiro ao primeiro turno foi particularmente expressiva.

Em 5 de outubro, a Bolsa brasileira registrou forte valorização, com o Ibovespa avançando aproximadamente 7,7% e alcançando um recorde histórico. O real também se fortaleceu diante do dólar.

A Reuters atribuiu o movimento às expectativas dos investidores quanto à possibilidade de mudanças na condução fiscal e econômica do país.

Entretanto, há uma distinção que o leitor precisa compreender.

O mercado financeiro reage ao que acredita que poderá acontecer. A economia real responde ao que efetivamente acontece.

Uma valorização expressiva da Bolsa não significa, automaticamente, aumento de salários, redução do custo de vida ou melhoria imediata das condições de quem trabalha e produz.

Da mesma forma, uma reação negativa dos investidores não representa necessariamente uma avaliação completa dos resultados sociais de um governo.

A gestora internacional VanEck, em análise publicada em 6 de outubro, destacou que a trajetória dos juros e a credibilidade fiscal serão determinantes para o comportamento dos investimentos brasileiros, independentemente do resultado eleitoral.

Esse é um dos sinais mais relevantes para o futuro.

O Brasil precisa demonstrar que possui capacidade de administrar suas contas, atrair investimentos produtivos e oferecer um ambiente confiável para o crescimento econômico.

O próximo governo será avaliado não apenas por suas promessas, mas pela capacidade de transformar expectativas em resultados.

Três caminhos possíveis para o Brasil depois das eleições

Não é necessário adivinhar quem ocupará o Palácio do Planalto para identificar as decisões que poderão definir o país nos próximos anos.

O primeiro caminho envolve a continuidade de uma agenda que combina políticas sociais, participação do Estado na economia e ampliação das relações com países emergentes. Seus defensores destacam a importância da redução das desigualdades e do investimento público. Seus desafios incluem a sustentabilidade fiscal, a produtividade e a capacidade de financiar compromissos sociais no longo prazo.

O segundo caminho envolve maior prioridade à disciplina fiscal, à participação da iniciativa privada e à aproximação diplomática com os Estados Unidos. Seus defensores argumentam que essas medidas podem melhorar o ambiente de investimentos. Seus desafios incluem transformar propostas em reformas efetivas, preservar políticas sociais essenciais e administrar as relações comerciais com parceiros que possuem interesses distintos.

Existe ainda um terceiro caminho, que não corresponde necessariamente a uma candidatura: a construção de acordos institucionais capazes de combinar responsabilidade econômica, proteção social, segurança jurídica e continuidade de políticas estratégicas.

Esse terceiro caminho depende menos de um único presidente e mais da relação entre o Executivo, o Congresso, o Judiciário, os governos estaduais, o setor produtivo e a sociedade.

A composição do Congresso eleito em 2026 será especialmente relevante. A Reuters destacou que o Partido Liberal ampliou sua representação no Senado para 28 das 81 cadeiras, alterando a correlação de forças legislativas.

Independentemente do vencedor da Presidência, o novo Congresso terá influência decisiva sobre reformas, orçamento, políticas ambientais e a relação entre os Poderes.

Estados Unidos, China e Europa: o desafio de não depender de apenas um parceiro

Uma das análises mais interessantes foi publicada pelo Council on Foreign Relations, centro de estudos norte-americano, em 5 de outubro.

A instituição destacou que o Brasil terá de administrar suas relações com os Estados Unidos e a China, parceiros fundamentais para sua economia, mesmo diante das pressões geopolíticas por maior alinhamento.

Council on Foreign Relations

Esse talvez seja um dos grandes testes diplomáticos do próximo governo.

Os Estados Unidos representam um mercado importante, além de serem fonte de investimentos, tecnologia e cooperação. A China ocupa posição central nas exportações brasileiras, especialmente em produtos agrícolas, minerais e petróleo.

Já a Europa mantém interesses comerciais, ambientais e institucionais relevantes.

A Chatham House, centro britânico de estudos internacionais, observou, em análise publicada em 7 de outubro, que a China responde por aproximadamente 28% das exportações brasileiras. Esse vínculo econômico limita a possibilidade de mudanças abruptas na relação bilateral, mesmo que haja uma reorientação política em Brasília.

A questão, portanto, não é simplesmente escolher entre Washington e Pequim.

É compreender como o Brasil poderá defender seus próprios interesses, diversificar mercados, incorporar tecnologia e aumentar o valor agregado de suas exportações.

Uma potência agrícola que exporta matéria-prima e importa tecnologia enfrenta desafios diferentes daqueles de uma economia que transforma conhecimento em produtos, patentes e indústrias competitivas.

O Brasil possui recursos naturais extraordinários. O desafio histórico continua sendo transformar essa riqueza em produtividade, educação, infraestrutura e prosperidade distribuída.

A Amazônia e o peso da responsabilidade internacional

Outro tema que desperta atenção no exterior é o futuro da política ambiental brasileira.

O jornal britânico The Guardian publicou, em 7 de outubro, uma reportagem sobre a preocupação de ambientalistas com possíveis mudanças na proteção da Amazônia após as eleições.

A Chatham House apresentou uma análise mais abrangente, distinguindo o risco de alterações nas regras de fiscalização florestal da continuidade dos investimentos brasileiros em energias renováveis.

Essa distinção é importante.

O Brasil reúne condições para desempenhar papel significativo na produção de alimentos, na transição energética, nos biocombustíveis e na preservação ambiental.

Entretanto, desenvolvimento econômico e proteção ambiental frequentemente são apresentados como objetivos incompatíveis.

A experiência internacional demonstra que essa relação é mais complexa. Investimentos em tecnologia agrícola, rastreabilidade, recuperação de áreas degradadas e energia limpa podem gerar oportunidades econômicas, embora também exijam capital, fiscalização e planejamento.

O debate que interessa ao futuro brasileiro não deveria se limitar à escolha entre produzir e preservar.

A pergunta mais produtiva seria: como ampliar a geração de riqueza sem comprometer os recursos naturais que sustentam parte dessa riqueza?

A visão do imigrante: o que aprendemos ao observar outro país?

O brasileiro que emigrou conhece uma experiência singular: descobrir que muitas regras consideradas naturais em seu país de origem funcionam de maneira diferente em outra sociedade.

Ao chegar aos Estados Unidos, por exemplo, ele encontra outra estrutura tributária, outras relações de trabalho, diferentes sistemas de crédito e uma cultura empresarial com características próprias.

Isso não significa que um país possua todas as respostas e que o outro esteja condenado a repetir seus problemas.

Os Estados Unidos também enfrentam desigualdade, polarização política, dificuldades de acesso à saúde, custos elevados de moradia e desafios institucionais.

Mas a experiência de viver em dois universos oferece ao imigrante uma oportunidade valiosa: comparar resultados, identificar práticas eficientes e compreender que instituições e políticas públicas podem ser modificadas.

O empreendedor brasileiro que construiu uma empresa no exterior sabe que nenhuma organização prospera indefinidamente apenas com discursos.

É necessário controlar despesas, desenvolver pessoas, conquistar clientes, investir em equipamentos, cumprir compromissos e produzir resultados.

Um país é infinitamente mais complexo do que uma empresa. Não pode ser administrado exclusivamente segundo critérios empresariais, pois também precisa assegurar direitos, serviços públicos e proteção aos cidadãos.

Ainda assim, algumas perguntas são comuns às duas realidades.

Como utilizar melhor os recursos disponíveis? Como reduzir desperdícios? Como investir no futuro sem comprometer o presente? Como estabelecer prioridades? E, sobretudo, como recuperar a confiança de quem depende das decisões tomadas?

Essas perguntas continuarão relevantes depois que as urnas forem fechadas.

Os sinais que merecem atenção nos próximos meses

Para quem acompanha o Brasil de fora, cinco indicadores ajudarão a compreender a direção efetiva do país após a eleição:

  1. Responsabilidade fiscal e juros: a capacidade do governo de apresentar contas sustentáveis e criar condições para crédito e investimentos produtivos.

  • Relações internacionais: a condução dos acordos comerciais com os Estados Unidos, a China, a União Europeia e demais parceiros.

  • Segurança institucional: o respeito às regras constitucionais, às decisões judiciais e aos mecanismos democráticos de negociação e fiscalização.

  • Emprego e poder de compra: a evolução da renda real, da produtividade e do custo de vida das famílias.

  • Educação, tecnologia e infraestrutura: a capacidade de transformar investimentos em competitividade e oportunidades de longo prazo.

  • Esses indicadores não caminham necessariamente na mesma direção. Um governo pode registrar bons resultados em determinada área e enfrentar dificuldades em outra.

    Por isso, acompanhar o futuro do Brasil exigirá mais do que apenas observar manchetes ou as oscilações diárias do mercado.

    Será necessário analisar tendências, comparar dados e distinguir promessas de realizações.

    O Brasil que continuará existindo depois da eleição

    Talvez a maior contribuição do olhar do imigrante seja compreender que uma nação não se resume aos governos que passam por ela.

    O Brasil continuará tendo agricultores, professores, cientistas, médicos, trabalhadores, estudantes e milhões de empreendedores que acordam todos os dias tentando construir uma vida melhor.

    Continuará sendo um país de enormes diferenças regionais, de extraordinária diversidade cultural e de potencial econômico significativo.

    Também continuará enfrentando problemas estruturais que não desaparecerão com uma vitória eleitoral: desigualdade educacional, dificuldades de infraestrutura, burocracia, insegurança, baixa produtividade em diversos setores e limitações na capacidade de investimento.

    Nenhum desses desafios será resolvido exclusivamente pela substituição ou pela continuidade de um presidente.

    A transformação dependerá de políticas consistentes, instituições funcionais e participação social.

    Conclusão: o futuro não está escrito nas urnas

    As eleições são um dos instrumentos mais importantes da democracia. Elas definem representantes, renovam mandatos e permitem que a sociedade escolha entre projetos políticos.

    Mas não oferecem, por si sós, uma garantia de prosperidade.

    O noticiário internacional mostra que o Brasil está sendo observado sob diferentes perspectivas. Investidores procuram previsibilidade. Parceiros comerciais avaliam oportunidades. Organizações ambientais acompanham compromissos. Analistas políticos estudam o equilíbrio institucional.

    E o cidadão brasileiro espera algo muito mais próximo de sua realidade: segurança, trabalho, renda, educação, saúde e a possibilidade de construir um futuro digno.

    Para o imigrante, ainda existe uma dimensão emocional.

    Mesmo depois de décadas vivendo em outro país, é difícil observar os acontecimentos brasileiros com indiferença. Afinal, o Brasil continua presente na língua que falamos, nas histórias que contamos aos nossos filhos e nas lembranças que carregamos.

    Talvez seja justamente essa distância geográfica que permita formular uma pergunta diferente.

    Em vez de perguntar apenas quem governará o Brasil, deveríamos perguntar que país os brasileiros desejam construir e quais resultados concretos estarão dispostos a exigir de seus governantes.

    O segundo turno acontecerá em 25 de outubro. Depois dele, começará uma nova etapa de decisões, negociações e responsabilidades.

    Os sinais estão diante de nós. O futuro, porém, continuará dependendo das escolhas feitas ao longo do caminho.

    Porque uma eleição define quem governa. Mas é a sociedade, ao longo do tempo, que constrói uma nação.

    O narcopoder: quando o crime organizado ameaça a democracia

    Novo tópico sugerido para inserir antes de “A visão do imigrante”

    Existe uma questão que precisa fazer parte de qualquer análise séria sobre os caminhos do Brasil: até que ponto o crime organizado conseguiu penetrar nas estruturas econômicas, políticas e institucionais do país?

    Durante décadas, organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho foram associadas principalmente ao tráfico de drogas, à violência urbana e ao controle de territórios.

    Entretanto, a atuação dessas organizações ultrapassou os limites das atividades criminosas tradicionais. Hoje, o desafio também envolve lavagem de dinheiro, empresas utilizadas para movimentar recursos ilícitos, corrupção de agentes públicos e tentativas de influenciar processos eleitorais.

    Não se trata apenas de uma percepção.

    Em junho de 2026, o Ministério Público Eleitoral orientou os partidos políticos a estabelecer mecanismos para prevenir a infiltração de organizações criminosas em suas estruturas.

    Em setembro, a Reuters noticiou que a Justiça Eleitoral brasileira havia impedido o registro de 20 candidaturas sob suspeitas de vínculos com organizações criminosas, embora nenhuma delas tivesse condenação confirmada em segunda instância. O caso também levantou discussões sobre presunção de inocência e garantias processuais.

    Uma investigação da Polícia Federal no Maranhão, divulgada em junho, identificou indícios de financiamento ilícito de campanhas eleitorais, com 15 candidatos apontados como beneficiários do esquema investigado.

    Esses episódios demonstram que a infiltração criminosa na política não pode ser tratada apenas como uma hipótese abstrata.

    O termo narcopoder descreve justamente o risco de organizações criminosas utilizarem sua força econômica, territorial e coercitiva para influenciar decisões públicas.

    A ameaça não se limita à possibilidade de eleger representantes. Inclui também a corrupção de funcionários, a intimidação de comunidades e a tentativa de controlar contratos e políticas públicas.

    O Banco Master e as perguntas que ainda precisam de respostas

    O escândalo envolvendo o Banco Master acrescenta outra dimensão ao debate: a vulnerabilidade das instituições financeiras e suas relações com agentes econômicos e políticos.

    Investigações e reportagens vêm examinando suspeitas de fraudes, movimentações financeiras e possíveis relações impróprias entre integrantes do setor financeiro e representantes do poder público.

    Em outubro, a Folha de S.Paulo publicou informações sobre políticos ligados ao caso Master que participaram das eleições de 2026, alguns deles eleitos, apesar das investigações e controvérsias. Os envolvidos apresentam situações jurídicas distintas, e vários deles negam irregularidades.

    Mas é necessário estabelecer um limite factual importante: as fontes verificadas não permitem afirmar que grande parte do dinheiro do Banco Master tenha origem no narcotráfico ou nas facções criminosas.

    Essa é uma acusação específica que exigiria rastreamento financeiro, documentos oficiais e evidências verificáveis.

    O questionamento jornalístico legítimo é outro: os mecanismos brasileiros de fiscalização financeira são suficientemente eficazes para identificar a origem de grandes movimentações de recursos e impedir que dinheiro ilícito adquira influência política?

    A polarização política pode esconder outros problemas?

    Enquanto a sociedade discute intensamente candidatos, partidos e ideologias, questões estruturais podem receber atenção insuficiente.

    A polarização ocupa grande espaço no noticiário e nas redes sociais. Escândalos financeiros complexos, por outro lado, exigem investigações prolongadas, conhecimento técnico e acompanhamento constante.

    Isso cria o risco de que assuntos importantes desapareçam do debate público antes de serem completamente esclarecidos.

    Não há, contudo, evidência suficiente para concluir que toda essa polarização seja uma estratégia deliberadamente coordenada para esconder atividades criminosas.

    A distinção importa porque a própria desinformação pode prejudicar investigações legítimas.

    Talvez a pergunta que deva incomodar o Brasil seja esta:

    Enquanto milhões de brasileiros discutem quem ocupará o poder, estamos dedicando atenção suficiente a investigar quem financia, influencia e tenta capturar esse mesmo poder?

    O desafio do próximo governo não será apenas combater o tráfico nas ruas. Será também fortalecer a inteligência financeira, a independência das instituições de controle, a transparência eleitoral e a capacidade de investigar organizações criminosas independentemente de suas conexões políticas.

    Uma democracia não depende apenas da liberdade de escolher seus representantes. Depende igualmente da garantia de que essa escolha não seja manipulada pelo dinheiro ilícito, pela violência ou pela intimidação.

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