Empreender nos EUA: Como Evitar Erros Comuns no Mercado Norte-Americano
Marco Alevato
Editor

Empreender nos Estados Unidos Não é Turismo Empresarial: A Cara Lição dos Brasileiros que Ignoram o Mercado
Por que tantos empresários brasileiros continuam fracassando nos EUA mesmo sendo bem-sucedidos no Brasil?
Todos os meses, centenas de empresários brasileiros desembarcam nos Estados Unidos movidos por um sonho legítimo: conquistar o maior mercado consumidor do planeta. Muitos chegam com capital, experiência, disposição para trabalhar e histórias de sucesso construídas ao longo de décadas no Brasil.
Infelizmente, uma parcela significativa também traz consigo outro elemento na bagagem: a certeza absoluta de que seu "faro para negócios" será suficiente para superar qualquer desafio.
Na prática, essa confiança excessiva costuma custar centenas de milhares de dólares.
A comunidade brasileira nos Estados Unidos conhece inúmeros casos de empresas que abriram as portas com entusiasmo e fecharam antes mesmo de completar dois anos. Restaurantes, lojas, distribuidoras, prestadores de serviço, franquias, construtoras e empresas de tecnologia repetem, geração após geração, praticamente os mesmos erros.
O problema raramente está na capacidade do empresário.
O problema está na forma como ele toma decisões.
O maior erro começa antes mesmo da empresa nascer
Existe uma frase muito conhecida no empreendedorismo:
"Apaixone-se pelo problema, nunca pela solução."
Entretanto, muitos empresários brasileiros fazem exatamente o contrário.
Primeiro alugam o imóvel.
Depois compram equipamentos.
Contratam funcionários.
Importam mercadorias.
Criam identidade visual.
Investem dezenas ou centenas de milhares de dólares.
Somente depois descobrem que não existe mercado suficiente para sustentar aquele negócio.
É como construir uma ponte antes de verificar se existe um rio.
Os Estados Unidos não são o Brasil
Talvez essa seja a maior armadilha.
O fato de um modelo funcionar perfeitamente em São Paulo, Belo Horizonte ou Curitiba não significa que ele funcionará em Orlando, Boston, Atlanta ou Dallas.
Cada cidade americana possui características completamente diferentes.
Mudam:
perfil econômico;
renda média;
hábitos de consumo;
concorrência;
legislação;
cultura de compra;
canais de divulgação;
comportamento digital.
O consumidor americano também possui expectativas completamente diferentes das brasileiras.
Quem ignora essa realidade geralmente paga caro para aprendê-la.
As cinco principais razões pelas quais muitos empresários brasileiros preferem confiar no "faro de negócios"
1. Excesso de confiança gerado pelo sucesso no Brasil
Depois de décadas empreendendo, muitos empresários desenvolvem uma sensação de invulnerabilidade.
Pensam:
"Se consegui construir uma empresa no Brasil, onde tudo é mais difícil, aqui será fácil."
Essa lógica parece razoável.
Mas ignora um detalhe importante.
O empresário conhece profundamente o mercado brasileiro.
Já o mercado norte-americano é praticamente um novo país empresarial.
Experiência ajuda.
Mas conhecimento local continua sendo indispensável.
2. A falsa economia
É comum encontrar empresários investindo entre US$ 300 mil e US$ 500 mil em uma operação.
Porém consideram caro contratar:
pesquisa de mercado;
consultoría estratégica;
análise de concorrência;
estudo de viabilidade;
planejamento comercial.
Economizam alguns milhares de dólares.
Perdemos centenas de milhares depois.
É uma economia extremamente cara.
3. A cultura do "vamos vendo"
No Brasil, muitos negócios sobrevivem graças à capacidade de improviso.
O famoso:
"Depois a gente resolve."
Nos Estados Unidos, planejamento empresarial pesa muito mais.
Contratos.
Licenças.
Compliance.
Tributação.
Marketing.
Posicionamento.
Precificação.
Tudo exige preparação.
Improvisar custa caro.
4. Confundir opinião com informação
Outro erro recorrente é substituir dados por conversas informais.
Basta ouvir frases como:
"Meu primo mora aqui e disse que isso vende muito."
"Um amigo abriu uma empresa semelhante."
"Todo brasileiro compra isso."
Nenhuma dessas afirmações constitui uma pesquisa de mercado.
São apenas percepções individuais.
Empresas vencedoras tomam decisões baseadas em dados, não em opiniões.
5. O ego empresarial
Talvez seja o ponto mais delicado.
Muitos empresários acreditam que pedir orientação demonstra fraqueza.
Na realidade, acontece exatamente o contrário.
As maiores corporações do mundo contratam continuamente consultorias, institutos de pesquisa, empresas de inteligência de mercado e especialistas locais.
Se organizações bilionárias investem milhões para reduzir riscos, por que uma pequena ou média empresa acreditaria que consegue decidir tudo sozinha?
O custo invisível dessas aventuras
Quando um negócio fecha, as pessoas normalmente enxergam apenas o investimento perdido.
Mas existem prejuízos muito maiores.
Entre eles:
perda de patrimônio;
desgaste emocional da família;
conflitos entre sócios;
endividamento;
perda do visto em alguns casos;
problemas fiscais;
reputação comprometida;
dificuldade para recomeçar.
Muitos retornam ao Brasil acreditando que "os Estados Unidos não deram certo".
Na verdade, o planejamento não existiu.
O que uma pesquisa de mercado realmente responde?
Uma pesquisa profissional não serve para convencer alguém a abrir uma empresa.
Ela serve justamente para mostrar quando não vale a pena abrir.
Ela responde perguntas fundamentais:
Existe demanda suficiente?
Quem são os concorrentes?
Quanto eles cobram?
Qual é o diferencial competitivo?
Quanto custa conquistar um cliente?
Qual o ponto de equilíbrio?
Qual região oferece maior potencial?
O mercado está crescendo ou encolhendo?
Há espaço para um novo concorrente?
Responder essas perguntas antes do investimento costuma ser muito mais barato do que descobrir as respostas depois da inauguração.
O empreendedor inteligente compra informação antes de comprar equipamentos
Existe um princípio utilizado por investidores profissionais.
Eles não investem dinheiro primeiro.
Investem em informação.
Quanto maior o investimento, maior deve ser o nível de conhecimento.
Essa lógica também deveria ser aplicada por quem pretende empreender nos EUA.
Antes de assinar contratos.
Antes de importar produtos.
Antes de contratar funcionários.
Antes de alugar um imóvel.
Antes de acreditar apenas na intuição.
Conclusão
Empreender nos Estados Unidos continua sendo uma excelente oportunidade para empresários brasileiros.
O país oferece segurança jurídica, estabilidade econômica, acesso a crédito, um enorme mercado consumidor e um ambiente favorável aos negócios.
Mas oportunidade nunca foi sinônimo de garantia de sucesso.
A experiência acumulada no Brasil é um patrimônio valioso, porém não substitui a inteligência de mercado, o planejamento e a orientação especializada.
No ambiente empresarial americano, a diferença entre uma história de sucesso e um fechamento precoce raramente está na coragem de investir.
Na maioria das vezes, ela está disposta a reconhecer que conhecer um mercado é muito diferente de imaginar como ele funciona.
Os empresários que mais prosperam não são necessariamente os que têm o melhor "faro para negócios".
São aqueles que transformam informação em estratégia antes de transformar dinheiro em investimento.
@marcoalevato
@facebrasil
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