As entrelinhas do pacto ambiental assinado entre Brasil e EUA

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Os Estados Unidos e o Brasil assinaram, recentemente, um tratado com relação às mudanças climáticas, mas, na prática, o que isso quer dizer?

A quem atinge?

O que será diferente?

Quais as melhorias propostas?

Seriam todas essas ações apenas uma estratégia para baixar barreiras às exportações brasileiras para o seu maior consumidor, os Estados Unidos?

Seja como for, essas perguntas seguem até agora sem reposta, porque nenhuma novidade foi divulgada pela mídia brasileira ou estrangeira, apenas mais do mesmo: o Brasil se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal de florestas e pretende “restaurar” 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – um discurso requentado desde 1992.

Também foi repetido à exaustão que Brasil e Estados Unidos pretendem atingir a meta de 20% de participação de fontes renováveis em suas matrizes energéticas, e, embora os dois países já estejam próximos de atingir o combinado, ainda corremos o risco de ficar sem luz e combustíveis em um futuro muito breve, pois, mais uma vez, o investimento para aumentar o parque alternativo será desembolsado por operadores privados, e a manobra consiste na adição de etanol à gasolina e adição de biodiesel ao diesel.

À luz desses fatos, percebemos que o governo brasileiro adota um discurso otimista e garante que implementará políticas para eliminação do desmatamento ilegal, em conjunto com o aumento ambicioso de estoque de carbono por meio da restauração florestal.

Mas a realidade é que, das cem maiores empresas do país, 82 já adotam ações de mitigação ou de adaptação às mudanças climáticas, segundo revela recente pesquisa do Datafolha: as soluções vão desde a redução do consumo de água e energia (apontadas por 40% das empresas) até ações para diminuição de poluentes (23%) e campanhas de educação e conscientização (12%).

Antes que fiquemos felizes com esses números expressivos, vale lembrar que o próprio empresariado tem de arcar com os custos dessas medidas ambientais, porque a legislação brasileira parte do pressuposto que quem usa ou polui tem responsabilidade legal de amenizar o impacto ecológicos dessas ações.

Em outras palavras, o belo discurso que empolgou ambientalistas não traz nada de novo; é apenas mais um ato teatral para o grande público.

Podemos concluir, então, que grandes companhias, em ambos os países, já adotam medidas que vão além do esperado, mas todo o esforço parece não ser suficiente para recuperar os problemas remanescentes e talvez seja pouco eficaz para a necessária “virada” no combate aos malefícios que a espécie humana fez (e ainda faz) contra o planeta.

Não deixemos, contudo, as previsões nebulosas ocultarem a nossa esperança e continuemos, todos nós, indivíduos e sociedade, fazendo a nossa parte e pressionando governos e organizações a assumirem a responsabilidade por suas ações também.

Revista Facebrasil – Edição 52 – 2015
A revista mais lida pelos brasileiros na Flórida