Bullying pode virar caso de polícia

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Apesar das diversas iniciativas de combate ao bullying criadas no Brasil, nos Estados Unidos e em vários países, o número de casos e a gravidade dessa prática vem aumentando, o que reforça a necessidade de pais, educadores e da comunidade como um todo entender que o assunto deve ser debatido e enfrentado constantemente.

O bullying é um termo em inglês (bully = valentão) utilizado para descrever atos repetitivos de violência física ou psicológica praticados por um ou mais indivíduos contra outro ou outros. Apelidos depreciativos, ameaças, agressões (mesmo que leves), isolar um colega, não permitindo que ele faça parte do grupo ou das brincadeiras, são algumas das práticas mais comuns de bullying.

Quando falamos em ambiente escolar, é praticamente impossível encontrar alguém que nunca tenha presenciado ou mesmo sido vítima de bullying. Infelizmente, por ignorância extrema, ainda nos dias de hoje há quem ache isso normal. “É coisa de criança”, dizem.

Mas, muitas vezes, as marcas psicológicas que ficam são para sempre, e, em alguns casos, o resultado pode ser trágico.

Pais precisam estar atentos

A psicóloga e perita Dainir Feguri atende crianças há 17 anos e relata que muitas vezes os pais demoram a perceber que o filho está sofrendo bullying na escola. “Geralmente os pais estão envolvidos com os problemas do cotidiano e poucos escutam ou observam seus filhos. Dialogar é a primeira tarefa.

À medida que a criança se sentir confiante, vai se abrir, trazendo um enredo ou queixa. Mas, se a criança é muito punida em casa, se esquivará de dizer a verdade”, explica.

A importância da escola

Na última década, muitas instituições de ensino de diversos países passaram a combater o bullying, entretanto, ainda há muitas que ignoram sistematicamente o problema ou que tomam medidas paliativas. Dainir explica a importância da escola nesse processo: “Ela deve intervir por meio da criação de espaços além da grade curricular, na forma de oficinas, trabalhar assuntos pontuais em valores humanos com os alunos sobre temas que venham a fazer prevenção e intervenção sobre o bullying.

A educação em valores humanos alicerça o caráter e se reflete na conduta. Haverá um resgate da autoestima, do autocontrole, da autoconfiança, da autoaceitação e do desapego.

Também é necessário desenvolver atividades com professores para que estes estejam prontos a intervir quando há uma situação de bullying dentro e fora do espaço escolar.

Geralmente as queixas chegam até os profissionais da educação, mas muitas delas ocorrem fora dos muros da escola. Isso não deve ser ignorado pelos educadores”.

Pais também precisam de ajuda

Tantos os pais da vítima quanto os dos agressores necessitam de apoio profissional para enfrentar o problema. O mesmo vale para quem está praticando o bullying. “Quem pratica o bullying deve ser igualmente inserido nos grupos e oficinas de valores humanos.

Os pais devem ser ouvidos por um profissional da saúde (psicólogos) para que compreendam a dinâmica familiar e estejam aptos a diagnosticar a raiz do problema”, diz a especialista.

A Justiça pode ser um caminho

Pode parecer absurdo, mas existem pais que se sentem orgulhosos ao saber que o filho ou filha é o valentão ou valentona da escola e, ao invés de buscar formas para resolver o problema, ainda brincam com a situação.

Também há casos de profissionais da educação que não aceitam reclamações ou apenas fingem que tomarão medidas. Para esses casos, é importante dizer que a omissão é passível de processo judicial tanto para a instituição de ensino quanto para os pais omissos.

No Brasil, vários colégios já foram condenados a pagar indenizações a alunos por não terem tomado medidas efetivas visando resolver casos de bullying. Também há casos de pais que foram condenados a pagar indenizações às vítimas de bullying praticado por seus filhos.

Nos Estados Unidos, dos 50 estados, 45 já têm leis que visam combater o bullying e determinam que as escolas tenham programas anti-bullying. As que não cumprem recebem multas que começam em 15 mil dólares e, em casos mais extremos, podem passar de milhões dólares.

Apesar de um maior rigor, há muito por ser feito. Especialistas garantem que a solução não é simples, mas, com todas as partes envolvidas e o suporte de profissionais, é possível diminuir muito o número de casos. O foco principal deve ser a prevenção, com escolas assumindo a sua responsabilidade e trazendo os pais para auxiliarem nessa batalha.