Doenças psiquiátricas: Como lidar?

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Ainda existem tabus em relação às doenças psiquiátricas, fazendo com que inúmeros pacientes nem sequer sejam diagnosticados e corretamente tratados.

A doença psiquiátrica não é sinônimo de loucura, mas sim de distúrbios que afetam a convivência em sociedade, de modo que algumas pessoas vivem isoladas em seus próprios mundos.

No passado, as doenças psiquiátricas ou vulgarmente conhecida como “loucura” eram tratadas com o isolamento. Como não havia medicamentos e psicoterapia, os recursos para esses pacientes eram praticamente inexistentes, sendo aquela a única forma de tratamento.

Os hospícios funcionavam como prisões, e tratamentos sub-humanos eram oferecidos, como o famoso eletrochoque.

Com o desenvolvimento da farmacologia, diversas drogas foram descobertas e desenvolvidas. Hoje pacientes esquizofrênicos, bipolares e com comportamento compulsivo podem ser controlados com correto regime terapêutico e continuar a fazer parte da nossa sociedade.

Infelizmente o diagnóstico de patologias psiquiátricas não é feito nos estágios preliminares da doença, mas sim quando os sintomas são tão evidentes que é necessário um período de isolamento e internação do paciente, para controle dos sinais e sintomas.

Deve-se prestar atenção a sinais indicativos de distúrbios de comportamento, já que doenças como a esquizofrenia e a bipolaridade não aparecem da noite para o dia.

Principais sintomas

A Sociedade Americana de Psiquiatria divulga constantemente em seu site um guia informativo dos sintomas e sinais das doenças psiquiátricas com o intuito de que famílias e amigos de pacientes com esses distúrbios possam identificar o problema e ajudar no tratamento. Como profissional médica, é meu dever trazer à população informação de qualidade. Por isso, enumerei os principais sinais de alerta para essas doenças:

  • Perda de interesse nos amigos e em atividades sociais
  • Baixo rendimento no trabalho ou na escola
  • Problemas de concentração e memória acompanhados de conversas que não fazem sentido
  • Alta sensitividade a sons, odores e lugares com níveis maior de barulhos
  • Perda da iniciativa e apatia perante atividades que anteriormente despertavam interesse
  • Senso de desconexão com a realidade
  • Crença exagerada em poderes especiais como sonhos e predições de futuro
  • Medo ou mania de perseguição
  • Aumento do sono e/ou mudanças do apetite
  • Mudanças frequentes de comportamento

Pacientes com dois dos sinais acima merecem ser avaliados para patologia psiquiátrica e examinados por profissionais qualificados.

É extremamente importante alertar a população de que distúrbios neurológicos como acidentes vasculares cerebrais, doenças da tireoide, doenças hepáticas e diabetes podem apresentar distúrbios de comportamento como primeiro sinal de alerta. Assim, é imperativo que um médico faça uma avaliação inicial antes de você procurar ajuda de um psiquiatra.

Resumindo: o organismo sempre apresentará sinais de que algo não está bem… Assim, procure ajuda mesmo que você pense não ser nada importante – distúrbios de comportamento podem ser um pedido de socorro do corpo.

Lilian Alevato é médica especializada em cardiologia, medicina interna e administração em saúde.