Espetáculo de dança “Oncotô” agita o cenário em Minas Gerais

0
516

A pergunta “quem sou eu?” é um dos questionamentos mais antigos da humanidade.

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos?

Ao longo dos séculos, ciência e espiritualidade tentam respondê-las, sempre de forma não conclusiva, apesar dos avanços de ambas.

Enquanto isso, a arte também faz sua parte. São diversos os poetas, escritores, músicos, pintores, atores e bailarinos que deram e continuam dando vazão a essa busca por meio da arte.

Há dez anos, o Grupo Corpo, companhia de dança contemporânea de Belo Horizonte (MG), estreou Onqotô (em bom mineirês, “onde estou?”), um espetáculo sobre os mistérios da existência coreografado por Rodrigo Pederneiras e musicado por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik.

Apesar de ser considerado uma referência no círculo da dança, infelizmente, o espetáculo é pouco conhecido pelo público brasileiro, mas foi imensamente apreciado nas turnês internacionais da companhia – vide histórico de releases no site do Grupo Corpo (www.grupocorpo.com.br), o que demonstra, além da qualidade do trabalho, o alcance da universalidade do tema.

Uma das cenas mais comentadas de “Onqotô” traz dois duos que utilizam o chão e a cumplicidade entre os corpos para dar luz a um diálogo sobre a existência.

A música que acompanha a coreografia foi adaptada por Veloso e Wisnik a partir do poema “Oração”, de Gregório de Matos, advogado e poeta do Brasil Colônia.

A releitura do poema cria um ambiente mítico e misterioso para o público, nos colocando uma perspectiva singular da nossa passagem pelo mundo: seria a vida uma loucura mortal?

O que haveria ao fim dessa jornada?

 

Natália Faria é jornalista e bailarina, ambas atividades de formação e coração.