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A Teoria da Fênix: A Magia dos Números e Inspiração na Sequência 1/7

Marco Alevato

Editor

A Teoria da Fênix: Quando 1/7 Explica um Pouco Sobre a Vida

Existem descobertas que chegam até nós sem pedir licença.

Às vezes vêm de um livro. Outras vezes de uma conversa, de uma viagem, de uma perda ou de uma dessas noites em que uma simples curiosidade nos leva por caminhos que não imaginávamos percorrer.

Foi assim que cheguei a uma pequena fração matemática:

1/7.

À primeira vista, absolutamente nada de extraordinário.

Um dividido por sete.

Mas faça a conta:

1 ÷ 7 = 0,142857142857142857142857...

E ela nunca termina.

Os seis números, 1, 4, 2, 8, 5 e 7, continuam se repetindo infinitamente.

Até aqui, poderíamos simplesmente chamar isso de uma dízima periódica e seguir adiante.

Mas há algo muito mais interessante escondido nessa sequência.

Quando multiplicamos 142857 por 2, encontramos:

285714

Por 3:

428571

Por 4:

571428

Por 5:

714285

Por 6:

857142

Os números mudam de lugar.

A sequência parece diferente.

Mas são sempre os mesmos números.

E quando finalmente multiplicamos por 7:

142857 × 7 = 999999.

Matematicamente, 142857 é conhecido como um número cíclico. Não há magia nisso. Não há profecia, numerologia ou força sobrenatural.

Existe matemática.

Mas talvez também exista uma extraordinária metáfora sobre nós mesmos.

Quantas vezes você já mudou tudo?

Talvez essa seja uma pergunta especialmente poderosa para quem imigrou.

Quantas vezes acreditamos que, ao mudar de cidade, emprego, relacionamento, empresa ou país, nossa vida finalmente seria completamente diferente?

Nós, imigrantes, conhecemos essa sensação melhor do que muitos.

Colocamos algumas malas em um avião e atravessamos uma fronteira, acreditando que estávamos começando uma nova vida.

Novo país.

Novo idioma.

Nova moeda.

Novas regras.

Novas oportunidades.

Durante algum tempo, tudo realmente parece diferente.

Até percebermos algo curioso.

Nós também viajamos dentro daquela mala.

Nossos medos vieram conosco.

Nossas virtudes vieram conosco.

Nossa ansiedade, ambição, coragem, insegurança, disciplina, generosidade e defeitos passaram pela imigração sem precisar apresentar passaporte.

Mudamos a ordem dos números.

Mas continuamos carregando nossa própria sequência.

Talvez sejamos um pouco como 142857.

A ilusão de que a próxima combinação será perfeita

Existe uma característica profundamente humana que nos acompanha ao longo de toda a vida: acreditamos que a felicidade está na próxima configuração.

Quando eu conseguir aquele emprego.

Quando minha empresa crescer.

Quando comprar aquela casa.

Quando ganhar mais dinheiro.

Quando meus filhos crescerem.

Quando me aposentar.

Quando encontrar alguém.

Quando me separar.

Quando mudar de cidade.

Quando voltar para o Brasil.

Quando sair do Brasil.

Estamos constantemente reorganizando os números, na esperança de encontrar uma combinação definitiva.

E talvez ela simplesmente não exista.

Porque 142857 pode começar com 1, 2, 4, 5, 7 ou 8.

Visualmente, teremos sequências diferentes.

Mas os elementos continuam lá.

Assim também acontece conosco.

Talvez o problema não seja a sequência

Existe, porém, uma interpretação ainda mais interessante.

Se os mesmos números continuam aparecendo, talvez nossa missão não seja fugir deles.

Talvez seja aprender a organizá-los melhor.

Não podemos controlar todas as cartas que a vida coloca sobre a mesa.

Não escolhemos onde nascemos.

Não controlamos completamente a economia.

Não decidimos quando uma crise chegará.

Não temos domínio sobre todas as pessoas que cruzarão nosso caminho.

E certamente não conseguimos prever todas as perdas, oportunidades, encontros e despedidas que teremos pela frente.

Mas podemos decidir o que fazer com o que recebemos.

Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre destino e responsabilidade.

Você pode não escolher todos os números.

Mas participa da forma como eles serão organizados.

Então aparece a Fênix

Foi justamente aí que comecei a enxergar, nessa curiosidade matemática, uma metáfora que gosto de chamar de Teoria da Fênix.

Não como teoria matemática formal.

Mas como reflexão sobre a vida.

A Fênix da mitologia não escapa do fogo.

Ela passa por ele.

Desaparece em suas próprias cinzas e renasce.

Não necessariamente como outra criatura, mas como uma nova manifestação de si mesma.

Talvez façamos exatamente isso inúmeras vezes ao longo de nossa existência.

A pessoa que chegou aos Estados Unidos não é exatamente a mesma que está lendo este texto hoje.

Mas também não é completamente outra.

Os números continuam ali.

Apenas foram reorganizados pela experiência.

Alguns ganharam importância.

Outros perderam.

Alguns sonhos desapareceram.

Outros nasceram.

Pessoas chegaram.

Pessoas partiram.

Vitórias que pareciam fundamentais se tornaram pequenas lembranças.

Problemas que pareciam insuperáveis hoje são histórias que contamos à mesa.

E seguimos reorganizando nossa sequência.

O imigrante talvez seja uma Fênix por definição

Imigrar é uma das experiências mais radicais de reorganização da vida.

Médicos tornam-se motoristas.

Empresários voltam a ser funcionários.

Executivos começam pequenos negócios.

Pessoas que tinham famílias inteiras por perto celebravam aniversários diante da tela do telefone.

Depois, lentamente, algo começa novamente.

Um cliente.

Um emprego melhor.

Uma pequena empresa.

Uma casa.

Um filho que fala inglês melhor do que os pais.

Uma oportunidade inesperada.

Uma nova comunidade.

E aquilo que parecia o fim de uma história revela-se apenas outra posição dos mesmos números.

Talvez por isso a trajetória imigrante seja tão fascinante.

Somos obrigados a descobrir quem realmente somos quando praticamente tudo o que utilizávamos para nos definir desaparece.

Cargo.

Status.

Relacionamentos.

Referências culturais.

Reconhecimento profissional.

Até nosso senso de humor precisa, às vezes, aprender outro idioma.

Quando tudo isso é retirado, sobra a pergunta mais importante:

Quem sou eu quando ninguém aqui conhece minha história?

142857 × 7 = 999999

Existe algo poeticamente irresistível nessa última conta.

Depois de todas as rotações, chegamos a:

999999.

Não significa, matematicamente, iluminação, destino ou conclusão de um ciclo humano.

É simplesmente uma consequência da estrutura decimal da fração 1/7.

Mas as metáforas não precisam alterar a matemática para nos ensinar algo.

Talvez o 999999 represente aquele raro momento em que entendemos que a vida nunca precisou alcançar uma combinação perfeita.

Porque viver não é, finalmente, colocar todos os números no lugar.

É aprender a continuar quando eles mudam de posição.

É perceber que recomeçar não significa voltar ao zero.

Quem recomeça leva consigo tudo o que aprendeu antes.

Por isso nenhum verdadeiro recomeço acontece do zero.

A Fênix renasce das cinzas porque elas também fazem parte dela.

Talvez a vida seja exatamente isso

Durante anos buscamos controlar a sequência.

Queremos saber qual será o próximo número.

Queremos garantias.

Queremos previsibilidade.

Queremos ter certeza de que nossas decisões produzirão exatamente o resultado esperado.

Mas a vida raramente aceita esse contrato.

Ela reorganiza nossos planos sem pedir autorização.

E talvez amadurecer seja compreender que a felicidade não significa encontrar, finalmente, uma sequência que nunca mais mudará.

Significa reconhecer a beleza mesmo quando os números mudam de lugar novamente.

Hoje você pode estar vivendo seu 142857.

Amanhã, talvez, seja 285714.

Depois, 428571.

Para quem olha rapidamente, tudo mudou.

Para quem observa com atenção, há uma história inteira atravessando todas essas transformações.

Você.

Talvez essa seja a verdadeira Teoria da Fênix.

Não há ideia de que precisamos destruir nossa vida para recomeçar.

Mas a compreensão de que passaremos por inúmeras versões de nós mesmos e que, em cada uma delas, carregaremos fragmentos de todas as anteriores.

Mudaremos de lugar.

Mudaremos de país.

Mudaremos de sonhos.

Mudaremos de opinião.

Perderemos.

Conquistaremos.

Cairemos.

Recomeçaremos.

E um dia talvez percebamos que passamos boa parte da existência procurando uma combinação perfeita sem perceber que o extraordinário nunca esteve na ordem dos números.

Estava na capacidade de continuar girando.

@marcoalevato

@facebrasil

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