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Branding, marketing e gamificação.

Marco Alevato

Editor

Branding, Marketing e Gamificação: não importa o tamanho da empresa, importa estar preparado para vencer

 

Existe uma frase muito repetida no mundo dos negócios: “precisamos investir em marketing”. O problema é que, muitas vezes, marketing virou uma palavra genérica para tudo. Fazer um post no Instagram virou marketing. Criar um logo virou marketing. Dar desconto virou marketing. Patrocinar um evento virou marketing.

Não é bem assim.

Entender essas diferenças pode ser ainda mais importante quando navegamos em períodos econômicos difíceis, com consumidores mais seletivos, crédito caro, custos elevados e concorrência cada vez mais profissional.

No mercado americano, principalmente para o empresário imigrante, improvisação pode até colocar uma empresa na rua. Mas é mais difícil construir uma empresa preparada para crescer.

É aí que entram três conceitos que precisam conversar entre si: Branding, Marketing e Gamificação.

E isso vale para qualquer tamanho de negócio.

Você pode vender docinhos de porta em porta ou produzir aviões. A escala muda. Os princípios não.

Branding e Marketing não são a mesma coisa

Vamos simplificar.

Branding responde: “Quem somos?”

Marketing responde: “Como fazemos com que o mercado perceba, deseje e compre o que oferecemos?”

Branding é a construção da identidade e da percepção da empresa. É aquilo que queremos que alguém pense ou sinta ao ouvir nosso nome.

Marketing transforma essa identidade em movimento comercial.

Imagine uma pequena empresa que vende brigadeiros.

O nome, a embalagem, a maneira de atender, a apresentação do produto, a história da fundadora, a promessa de qualidade e até a sensação que o cliente experimenta ao receber a caixa fazem parte do branding.

A campanha no Instagram, o anúncio no Google, a promoção para empresas, a parceria com um restaurante, o programa de indicação e a estratégia para vender mais no Dia das Mães fazem parte do marketing.

Um não substitui o outro.

Marketing sem branding pode gerar vendas sem construir valor.

Branding sem marketing pode construir uma identidade maravilhosa que ninguém conhece.

A empresa saudável precisa dos dois.

Branding constrói valor. Marketing movimenta o valor.

Uma maneira simples de compreender a diferença é imaginar que o branding constrói a casa enquanto o marketing convida as pessoas a entrar.

Uma marca forte comunica antes mesmo do vendedor abrir a boca.

Pense nas grandes empresas que conhecemos. Muitas vezes basta uma cor, uma embalagem, um formato ou uma experiência para sabermos quem está por trás daquele produto.

Mas existe um erro comum entre pequenos empresários: acreditar que branding é coisa de multinacionais.

Não é.

Uma pessoa que vende doces de porta em porta também possui uma marca, mesmo que nunca tenha parado para construí-la conscientemente.

A pergunta é: que marca ela está construindo?

Pontualidade é branding.

Limpeza é branding.

Uniforme é branding.

Embalagem é branding.

A maneira de responder a uma mensagem é branding.

Cumprir o que prometeu é branding.

Resolver corretamente um problema também é branding.

Porque marca não é somente aquilo que você diz sobre sua empresa.

Marca é, principalmente, aquilo que o cliente passa a dizer sobre você quando você não está presente.

E onde entra a gamificação?

Aqui temos outro conceito frequentemente mal compreendido.

Quando falamos em gamificação, não estamos necessariamente falando em transformar a empresa em um videogame.

Estamos falando em utilizar elementos comuns aos jogos, como objetivos, desafios, níveis, recompensas, pontuação, competição e reconhecimento, para estimular comportamentos desejados.

Isso pode funcionar com clientes, vendedores, funcionários, parceiros e até com o próprio empresário.

O princípio é simples: quando conseguimos visualizar progresso, recompensa e conquista, tendemos a permanecer mais envolvidos.

Por isso, a gamificação pode ser uma poderosa ferramenta de crescimento.

1. Transforme objetivos em metas visíveis

“Precisamos vender mais” não é uma estratégia.

Quanto mais?

Até quando?

Vendendo o quê?

Para quem?

Transforme o objetivo em algo mensurável.

Por exemplo: conquistar 20 novos clientes em 30 dias.

Agora existe uma linha de chegada.

O cérebro humano responde melhor quando consegue enxergar o progresso. É exatamente isso que acontece nos jogos: sabemos onde estamos e quanto falta para alcançar o próximo nível.

Faça o mesmo dentro da empresa.

2. Crie níveis de conquista

Todo negócio pode criar níveis.

Um vendedor pode evoluir conforme seus resultados.

Um cliente pode ganhar benefícios à medida que seu relacionamento com a empresa se aprofunda.

Uma equipe pode desbloquear recompensas ao atingir determinados indicadores.

Até pequenas empresas podem trabalhar dessa maneira.

Bronze, Silver e Gold. Cliente novo, cliente recorrente e cliente VIP. Primeira compra, quinta compra, décima compra.

Os nomes pouco importam.

O importante é criar uma percepção clara de evolução.

3. Recompense o comportamento que deseja repetir

Existe uma regra simples: se determinado comportamento é importante para sua empresa, encontre maneiras de reconhecê-lo.

Quer clientes indicando outros clientes?

Crie recompensa por indicação.

Quer aumentar recompra?

Crie benefício para recorrência.

Quer que funcionários entreguem projetos antes do prazo?

Reconheça eficiência.

Quer vendedores buscando novos clientes?

Transforme prospecção em desafio mensurável.

Gamificação não significa distribuir dinheiro indiscriminadamente. Reconhecimento, prioridade, acesso exclusivo, experiências e status também podem funcionar como recompensa.

4. Transforme números em desafios

Aqui está uma das maiores vantagens da gamificação para pequenas empresas.

Ela obriga o empresário a olhar para os números.

Imagine estabelecer uma meta semanal:

50 contatos novos.

20 propostas enviadas.

10 reuniões.

5 novos clientes.

Agora você possui um jogo empresarial.

Na semana seguinte, a pergunta deixa de ser “como foram as vendas?” e passa a ser:

“Qual foi nosso placar?”

Essa pequena mudança pode transformar completamente a gestão.

Porque aquilo que não medimos dificilmente conseguimos melhorar.

5. Faça o cliente querer continuar jogando

Talvez este seja o ponto mais poderoso.

Conquistar um cliente custa dinheiro. Fazer um cliente satisfeito voltar normalmente custa menos do que começar do zero.

Por isso, pense além da primeira venda.

Qual é o próximo passo?

Existe recompensa pela segunda compra?

Existe vantagem pela quinta?

Existe programa de indicação?

Existe reconhecimento para clientes antigos?

Existe algum motivo para ele continuar conectado à sua marca?

Quando a experiência termina imediatamente após o pagamento, a empresa precisa reconquistar o mesmo consumidor todas as vezes.

Quando existe continuidade, começa a nascer relacionamento.

E relacionamento é uma das maiores fortalezas que uma marca pode possuir.

Tempos difíceis exigem empresas melhores

Quando a economia está aquecida, muitos erros ficam escondidos.

Quando o dinheiro circula com facilidade, empresas desorganizadas conseguem sobreviver. Clientes toleram determinados preços. O crédito ajuda. A demanda encobre ineficiências.

É quando o mercado aperta que descobrimos quem realmente estava preparado.

Por isso, momentos difíceis não deveriam significar simplesmente cortar Marketing.

Podem significar fazer Marketing melhor.

Entender melhor o cliente.

Fortalecer o Branding.

Medir resultados.

Eliminar campanhas que não funcionam.

Valorizar clientes recorrentes.

Melhorar atendimento.

Criar sistemas de indicação.

Treinar equipes.

Acompanhar números.

Experimentar.

Corrigir.

Recomeçar.

O empresário imigrante ainda enfrenta uma camada adicional: precisa aprender as regras de um mercado que nem sempre funciona como o mercado de seu país de origem.

Nos Estados Unidos, não basta trabalhar muito.

É preciso trabalhar com método.

Não importa se você vende docinhos ou produz aviões

Existe uma tendência perigosa de acreditar que estratégia empresarial é assunto para grandes corporações.

Não é.

A empresa que produz aviões precisa conhecer seu cliente, construir confiança, comunicar valor, desenvolver sua marca e medir resultados.

A pessoa que produz doces em casa também.

Naturalmente, orçamento, complexidade e escala serão completamente diferentes.

Mas os fundamentos permanecem.

Todo negócio precisa responder algumas perguntas básicas:

Quem somos?

Por que alguém deveria comprar de nós?

Quem é nosso cliente?

Como esse cliente vai nos encontrar?

Por que ele deveria voltar?

Por que deveria recomendar nossa empresa a outra pessoa?

Branding ajuda a responder quem somos e o que representamos.

Marketing encontra, conquista e movimenta o mercado.

A gamificação cria estímulos para transformar objetivos em comportamentos repetidos e mensuráveis.

Quando os três trabalham juntos, começamos a deixar o improviso para trás.

Estar pronto para dar certo

Talvez essa seja uma reflexão especialmente importante para quem empreende nos Estados Unidos.

Todo mundo fala em estar preparado para enfrentar uma crise.

Poucos falam em estar preparado para o sucesso.

E sucesso também exige estrutura.

Se amanhã surgirem 100 novos clientes, sua empresa consegue atendê-los?

Se suas vendas dobrarem, sua produção acompanha?

Sua marca transmite confiança?

Seu atendimento mantém o padrão?

Você sabe quais produtos realmente geram lucro?

Sabe quanto custa conquistar um cliente?

Sabe quantos clientes retornam?

Sabe de onde vêm suas vendas?

Se a resposta a várias dessas perguntas for “não”, talvez o problema da empresa não seja apenas vender mais.

Talvez seja necessário preparar a empresa para que dê certo.

Porque a oportunidade, sem estrutura, pode rapidamente se transformar em problema.

A regra é simples

Branding faz o mercado lembrar de você.

Marketing dá ao mercado razões para comprar de você.

A gamificação cria estímulos para que clientes e equipes continuem avançando com você.

No final, pouco importa se o produto custa cinco dólares ou cinco milhões.

Pode ser um brigadeiro vendido de porta em porta.

Pode ser um avião produzido em uma fábrica gigantesca.

Toda empresa precisa conquistar confiança, comunicar valor, vender, entregar o que prometeu e fazer o cliente desejar voltar.

Em tempos difíceis, isso deixa de ser apenas uma boa estratégia.

Torna-se uma questão de sobrevivência.

E talvez a pergunta que todo empresário deveria fazer hoje não seja apenas:

“Estou preparado se as coisas derem errado?”

Mas uma muito mais provocante:

“Minha empresa está realmente preparada para dar certo?”

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