negocios

Quem não está no marketplace está fora da prateleira

Marco Alevato

Editor

Para empresas brasileiras no exterior, vender em plataformas digitais deixou de ser uma alternativa. Tornou-se uma estratégia fundamental para conquistar confiança, testar produtos, alcançar novos públicos e competir de verdade no mercado internacional.

Durante muito tempo, muitos empresários brasileiros acreditaram que estar presente no exterior significava abrir uma loja física, alugar um escritório, contratar funcionários e investir pesadamente em publicidade. Esse modelo ainda pode fazer sentido em determinados setores, mas o comportamento do consumidor mudou e a prateleira mais disputada do mundo já não está necessariamente em um shopping center.

Ela está na tela do celular.

Amazon, Walmart Marketplace, Etsy, eBay, Mercado Livre e outras plataformas transformaram a forma como os produtos são descobertos, comparados e comprados. Para uma empresa brasileira que busca conquistar espaço nos Estados Unidos ou em qualquer outro mercado internacional, ignorar esses canais equivale a abrir uma loja em uma rua sem movimento e esperar que o consumidor apareça por acaso.

Os números ajudam a dimensionar essa transformação. Segundo o U.S. Census Bureau, as vendas do comércio eletrônico nos Estados Unidos atingiram aproximadamente US$ 340,2 bilhões no segundo trimestre de 2026, o que representa 16,4% de todas as vendas do varejo americano. Em comparação com o mesmo período de 2025, o crescimento foi de 12,4%, quase o dobro do avanço registrado pelo varejo total.

O comércio eletrônico não substituiu completamente as lojas físicas, mas passou a ocupar uma parcela cada vez maior da jornada de compra. Mesmo quando o consumidor conclui a compra em outro canal, frequentemente é dentro de um marketplace que ele pesquisa o produto, compara preços, lê avaliações e decide em qual empresa confiar.

O marketplace é o shopping center da nova economia

Imagine um shopping center que nunca fecha, recebe milhões de visitantes, permite comparar centenas de produtos em segundos e entrega as compras na porta do cliente. Esse é o ambiente em que as empresas competem atualmente.

A diferença é que, no marketplace, uma pequena empresa pode aparecer ao lado de uma multinacional. Na mesma página, o consumidor pode encontrar uma marca mundialmente conhecida e um produto criado por uma família brasileira que acaba de iniciar sua operação nos Estados Unidos.

Isso não significa que as condições sejam iguais. Grandes marcas possuem mais capital, reconhecimento, estoque e capacidade publicitária. Entretanto, a estrutura do marketplace reduz algumas barreiras tradicionais. O pequeno empresário não precisa construir sozinho todo o sistema de tráfego, pagamento, avaliação, segurança e distribuição antes de realizar a primeira venda.

A própria Amazon informa que mais de 60% das vendas realizadas em sua plataforma vêm de vendedores independentes, em sua maioria pequenas e médias empresas. Em 2025, os vendedores independentes nos Estados Unidos alcançaram uma média superior a US$ 375 mil em vendas anuais dentro da plataforma, segundo dados divulgados pela empresa.

É claro que uma média não representa a realidade individual de todos os vendedores. Muitos faturam pouco, alguns perdem dinheiro e outros encerram suas operações. O dado, porém, mostra que os marketplaces deixaram de ser ambientes exclusivos para vendas ocasionais. Eles se tornaram canais estruturais de negócios.

Para o imigrante, o primeiro desafio é a confiança

Uma empresa brasileira que chega aos Estados Unidos pode oferecer um produto excelente e, ainda assim, enfrentar uma barreira invisível: ninguém conhece sua marca.

No Brasil, o empresário talvez tivesse uma boa reputação, indicações, relacionamento com fornecedores e uma rede de clientes construída ao longo de anos. No exterior, grande parte desse patrimônio social precisa ser reconstruída.

O marketplace pode acelerar esse processo ao emprestar parte de sua credibilidade ao vendedor. O consumidor talvez nunca tenha ouvido falar daquela marca brasileira, mas conhece a Amazon, o Walmart ou o Etsy. Ele sabe como pagar, acompanhar o pedido, reclamar e quais são as políticas de devolução.

As avaliações também funcionam como uma nova forma de recomendação. Antes, um cliente satisfeito contava sua experiência com alguns amigos. Agora, uma avaliação positiva pode influenciar milhares de compradores. O contrário também é verdadeiro. Um problema de qualidade, de atraso ou de atendimento pode ficar publicamente registrado e prejudicar a reputação da empresa.

Por isso, entrar em um marketplace não é simplesmente cadastrar produtos. É assumir um compromisso público com a qualidade, o prazo, o atendimento e a consistência.

Presença digital não significa abandonar a marca

Existe um receio legítimo entre empresários: ficar dependente de uma plataforma que pode alterar taxas, políticas, algoritmos ou regras de visibilidade.

Esse risco existe e não deve ser ignorado.

Marketplace não pode ser sinônimo de dependência absoluta. Ele deve funcionar como um canal dentro de uma estratégia comercial mais ampla. A empresa precisa continuar investindo em sua identidade, seu site, sua base de clientes, suas redes sociais e seu relacionamento direto com o consumidor.

A plataforma é um excelente lugar para ser encontrado, mas a marca precisa ser lembrada fora dela.

O erro está nos extremos. De um lado, encontramos empresas que rejeitam os marketplaces e perdem acesso a um enorme fluxo de consumidores. Do outro, empresas que entregam todo o seu futuro a uma única plataforma e ficam vulneráveis a qualquer mudança.

A estratégia mais inteligente é ocupar os marketplaces sem deixar de construir patrimônio próprio.

Não basta vender. É preciso entender a margem

O faturamento exibido na tela pode gerar uma perigosa sensação de sucesso. Entretanto, faturamento não é lucro.

Antes de colocar um produto à venda, a empresa precisa calcular com precisão:

  1. Custo de fabricação ou aquisição

  • Embalagem e etiquetagem

  • Transporte e armazenamento

  • Tarifas da plataforma

  • Investimento em publicidade

  • Impostos aplicáveis

  • Devoluções e produtos danificados

  • Atendimento ao cliente

  • Câmbio e transferências internacionais

  • Capital necessário para reposição do estoque

  • As tarifas variam conforme a plataforma e a categoria do produto. Na Amazon, por exemplo, há taxas de referência diferentes para cada segmento, além de eventuais custos de armazenamento, logística, publicidade e outros serviços. A empresa disponibiliza sua estrutura tarifária atual, mas cabe ao vendedor analisar se o produto continua lucrativo após a aplicação de todos os descontos.

    Muitos empresários entram no marketplace definindo o preço apenas com base no preço do concorrente. Essa comparação é insuficiente. O concorrente pode produzir em outra escala, comprar mais barato, firmar melhores contratos de transporte ou até operar temporariamente com margem reduzida.

    O preço de mercado precisa ser considerado, mas não substitui uma planilha real de custos.

    Logística é parte do produto

    Para o consumidor americano, a experiência de compra não termina quando o pagamento é aprovado. Prazo, rastreamento, embalagem, devolução e atendimento fazem parte do produto.

    Uma mercadoria excelente entregue com atraso pode receber uma avaliação ruim. Uma embalagem inadequada pode destruir a percepção de qualidade. Uma política de devolução confusa pode levar o consumidor a abandonar a compra.

    Algumas plataformas oferecem soluções próprias de fulfillment, nas quais o estoque é enviado para centros de distribuição e a plataforma assume etapas como armazenamento, separação, entrega e, em certos casos, atendimento e devoluções. O Walmart Fulfillment Services, por exemplo, permite que vendedores enviem seu estoque aos centros da companhia para que os produtos sejam armazenados e despachados aos compradores.

    Esses serviços podem aumentar a velocidade e simplificar a operação, mas também geram custos. Cada empresa precisa comparar as opções de logística própria, de operadores terceirizados e de fulfillment da plataforma.

    A decisão correta não é necessariamente a mais barata. É aquela que entrega previsibilidade, protege a margem e mantém uma boa experiência para o cliente.

    O produto brasileiro precisa ser traduzido culturalmente

    Traduzir uma descrição para o inglês não significa adaptar um produto ao mercado americano.

    A empresa precisa compreender como o consumidor local pesquisa, compara e utiliza o que está comprando. Medidas, cores, tamanhos, voltagens, materiais, certificações, fotografias e até a forma de apresentar os benefícios podem precisar de ajustes.

    Nos Estados Unidos, polegadas, pés, libras e onças fazem parte da comunicação cotidiana. Uma descrição tecnicamente correta em centímetros pode gerar dúvidas ou devoluções. Da mesma forma, expressões comuns no Brasil podem não transmitir valor para quem não conhece nossa cultura.

    Até produtos ligados à identidade brasileira precisam ser apresentados de modo que o consumidor estrangeiro entenda por que deveria comprá-los.

    A origem brasileira pode ser um diferencial, mas não pode ser a única proposta de valor. O produto precisa resolver um problema, despertar um desejo ou oferecer uma experiência clara.

    Cinco passos para começar de maneira responsável

    1. Escolha poucos produtos

    Não é necessário colocar todo o catálogo no marketplace. Comece com produtos de boa margem, de fácil reposição e de baixa complexidade logística.

    2. Selecione a plataforma correta

    Nem todo produto pertence à Amazon. Itens artesanais podem obter melhor posicionamento no Etsy. Produtos de grande consumo podem apresentar oportunidades na Amazon ou no Walmart. Equipamentos e itens específicos podem funcionar melhor no eBay ou em marketplaces especializados.

    3. Prepare a operação antes da publicidade

    Não aumente o tráfego antes de garantir o estoque, a embalagem, o prazo de envio, o atendimento e a capacidade de reposição. A publicidade acelera tanto uma operação organizada quanto um desastre.

    4. Trate fotografias e descrições como vendedores

    O cliente não pode tocar no produto. As imagens, o título, os benefícios, as especificações e as avaliações precisam responder às dúvidas que um vendedor responderia pessoalmente.

    5. Analise os dados semanalmente

    Acompanhe a conversão, o custo de publicidade, as devoluções, as avaliações, a margem por produto e a velocidade do estoque. O marketplace não deve ser administrado pela intuição.

    Estar presente é diferente de simplesmente estar cadastrado

    Milhares de empresas mantêm contas abertas em marketplaces, mas poucas desenvolvem uma presença verdadeiramente competitiva.

    Presença significa manter o estoque atualizado, responder rapidamente, proteger a reputação, aprimorar os anúncios, estudar as avaliações, ajustar preços e compreender os dados gerados pelas vendas.

    Uma página abandonada transmite a mesma mensagem que uma loja física com as luzes apagadas.

    Para as empresas brasileiras no exterior, os marketplaces representam uma oportunidade extraordinária de encurtar distâncias. Eles permitem testar produtos, validar preços, alcançar consumidores fora da comunidade brasileira e construir uma reputação verificável.

    Mas não existem atalhos permanentes. A plataforma pode fornecer a prateleira, o tráfego e parte da infraestrutura. Quem precisa entregar qualidade, organização e consistência continua sendo a empresa.

    A nova fronteira do empreendedor brasileiro

    Durante décadas, internacionalizar uma empresa exigia grandes investimentos, distribuidores, viagens, representantes e acordos comerciais complexos. Esses elementos continuam importantes em muitos negócios, mas a tecnologia abriu uma porta que antes estava disponível apenas para companhias de grande capital.

    Hoje, uma empresa brasileira pode apresentar seu produto ao consumidor americano sem precisar começar com dezenas de lojas. Pode testar uma região, uma categoria ou uma faixa de preço antes de ampliar o investimento.

    O Departamento de Comércio dos Estados Unidos destaca que as ferramentas digitais ajudam as empresas a alcançar mercados internacionais e lembra que a maior parte dos consumidores do mundo está fora das fronteiras dos Estados Unidos. A lógica também vale para o empresário brasileiro instalado no exterior: sua empresa não precisa ficar limitada ao bairro, à cidade ou apenas à comunidade de língua portuguesa.

    O marketplace não é uma solução mágica. É uma infraestrutura de acesso.

    A pergunta deixou de ser se uma empresa deveria considerar esses canais. A pergunta correta é: em quais marketplaces ela precisa estar, com quais produtos, com qual margem e com qual estratégia?

    Quem compreender essa mudança poderá transformar uma pequena operação local em uma marca de alcance nacional ou internacional. Quem continuar esperando que os clientes descubram seu negócio por acaso talvez perceba tarde demais que a principal avenida comercial do nosso tempo não é feita de asfalto.

    Ela é digital.

    Chamada para ação

    Sua empresa já está preparada para vender para além da comunidade brasileira? Antes de abrir uma conta em qualquer plataforma, analise seus produtos, custos, logística e capacidade de atendimento. Estar em um marketplace pode abrir portas extraordinárias, desde que a empresa entre com planejamento, estrutura e visão de longo prazo.

    Meta description: Entenda por que a presença em marketplaces como Amazon, Walmart, Etsy e eBay é essencial para empresas brasileiras que desejam crescer, conquistar confiança e vender no exterior.

    Palavras-chave SEO: marketplaces para empresas brasileiras, empreendedores brasileiros nos Estados Unidos, vender na Amazon, vender no Walmart Marketplace, comércio eletrônico nos EUA, internacionalização de empresas brasileiras, vendas online no exterior, e-commerce para imigrantes.

    Tags: Empreendedorismo, Marketing, E-commerce, Marketplaces, Empresas Brasileiras, Negócios nos Estados Unidos, Imigrantes, Vendas Online.

    Hashtags: #Facebrasil #Empreendedorismo #Marketplace #Ecommerce #EmpresasBrasileiras #BrasileirosNosEUA #NegóciosNosEstadosUnidos #MarketingDigital #VendasOnline #Internacionalização

    Faça login para favoritar