Tatuagem, memória, saudade e homenagem

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No último mês, tomei a importante decisão de fazer minha segunda tatuagem. Adoro tatuagens. Fiz minha primeira em 2011, aos 21, depois de alguns anos já com o desenho em minha cabeça – uma das ilustrações do livro “O Pequeno Príncipe”, que mostra o momento em que o pequeno personagem sai de seu lar, o asteroide B612, para descobrir outros mundos com a ajuda de pássaros selvagens.

Adoro esse livro, suas pequenas histórias e que personagem, cada experiência. Por isso, sempre tive tanta certeza do que gostaria de fazer. Três anos depois, registrei minha segunda marca.

Sempre achei que tatuagens são marcos da nossa história, seja ela qual for. Não importa se alguém não gosta de determinado desenho.

Quem tem de estar absolutamente satisfeito com o que está lá é a “tela”, e se a tatuagem retrata parte da sua vida, ela deve ser respeitada. Outro dia ouvi uma pessoa dizendo que se arrependia de uma tattoo, que hoje jamais desenharia aquilo. Sua vontade era apagar.

Durante a conversa, outro disse que não devia, já que tinha sido feita em um momento de sua história e tinha um significado, representava algo para ela.

Difícil opinar em situações como essa, até porque nem todas as partes de nossa história e lembranças são boas – muitas são tristes e difíceis. Apagar, não apagar, não importa, isso é de cada pessoa.

O que quero dizer é que a tatuagem faz parte da sua identidade, como um acréscimo à sua impressão digital. Claro que parto do pressuposto da consciência em relação a fazer ou não uma arte em seu corpo.

Significado e valor

É preciso ter certeza daquilo que se quer, exatamente porque é para sempre e corremos o risco de um dia nos arrepender.

Perdi meu pai há dois anos. E é estranho falar em perda, já que, como espírita, escutei e li várias vezes que o local de passagem é aqui, e não o contrário, ou seja, quando nosso tempo por aqui acaba, simplesmente voltamos para nosso local de origem.

O difícil é conciliar essa ideia com a saudade… Bom, meu pai tinha uma tatuagem, uma imagem que minha mãe fez para ele e que pouco depois ele decidiu gravar no seu braço direito. Aquele símbolo, um pequeno dragão, sempre chamou minha atenção. Sempre achei uma figura forte e imponente, assim como meu pai foi.

Desde que seguiu seus caminhos em outros planos, fiquei com essa imagem em minha cabeça e certa de que precisava gravar essa parte de sua história também em mim, e foi o que fiz.

Não passo um dia sem pensar no meu pai, nas nossas conversas, nos seus conselhos. Agora eu olho no espelho e vejo a imagem que sempre achei tão forte nele também em mim, mais um pouco da sua coragem, da sua garra, para me dar suporte dia após dia.

Acabou sendo uma homenagem, como alguns já me disseram, mas, com certeza, é muito mais honroso para mim poder continuar a imprimir sua marca.

 

Thieny Moltini é repórter, autora do blog mudancadehabito.net e descobriu, há pouco tempo, uma nova forma de ver a vida e superar seus limites